A ação transformadora do cristão

Destacamos abaixo três números provocativos sobre a ação do leigo no mundo, extraídos do recente Documento da CNBB n. 105, Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade (São Paulo, Paulinas, 2016). Este tema é fundamental para o exercício da identidade cristã no mundo atual.

  1. Um desafio para os cristãos leigos e leigas é superar as divisões e avançar no seguimento de Cristo, aprendendo e praticando as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do Mestre Jesus: seu amor e obediência filial ao Pai, sua compaixão diante da dor humana, seu amor serviçal até o dom de sua vida na cruz: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!” (Mc 8,34). A cruz indica o rumo de vida para o cristão, como força para a superação permanente dos males, do sofrimento e da morte, como enfrentamento e superação das divisões e dominações, como esperança de recriação misteriosa e pascal das relações humanas e da vida do mundo. E a Igreja, “sob a ação do Espírito Santo, não deixe de renovar-se a si mesma até que pela cruz chegue à luz que não conhece ocaso”.
  2. A ação transformadora do cristão leigo, como sujeito eclesial, no mundo, pode ter diferentes modos de realização, entre os quais destacamos:
  3. O testemunho, como presença que anuncia Jesus Cristo, em cada lugar e situação onde se encontra, a começar pela família;
  4. A ética e a competência, no exercício de sua própria atividade profissional, contribuindo, assim, de modo pessoal ou coletivo, para a construção de um mundo justo e solidário;
  5. O anúncio querigmático, nos encontros pessoais, nas visitas domiciliares e nos ambientes de trabalho;
  6. Os serviços, pastorais, ministérios e outras expressões organizadas pela própria Igreja, através das quais a Igreja se faz presente e atuante no mundo;
  7. A inserção na vida social, através das pastorais sociais, que se dedicam às mais variadas atividades visando não só a assistência imediata, mas também a conscientização e engajamento nas lutas sociais;
  8. Os meios de organização e atuação na vida cultural e política, tendo em vista contribuir para a transformação da sociedade e a construção do mundo justo, sustentável e fraterno.

245. Em toda a sua ação no mundo, é necessário que o cristão saiba discernir as condições em que se encontra e a busca dos meios mais coerentes e eficazes de agir. Isto é tarefa permanente que solicita a atitude profunda de fé e o aprofundamento da razão. Conhecer bem onde agir, quando e como agir, com a sabedoria do discípulo de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida (Jo 14,6), é compromisso de cada um dos que se dispõem a seguir o Mestre. O mundo será sempre um desafio para a ação do cristão, como sujeito eclesial, em vista de sua transformação e um desafio à própria Igreja, para que busque os meios mais coerentes de servir a todos, de modo particular os pobres.