Depois de um divórcio histórico, a catequese com inspiração catecumenal retoma sua relação com a liturgia. Ambas se dão conta de que não alcançarão suas metas andando separadas. Uma precisa da outra. Apresenta-se como um desafio dar conteúdo e força à dimensão mistagógica dos percursos de iniciação, para que os itinerários contem com um ingrediente essencial no processo de construção da fé: uma adequada compreensão e vivência sacramental. “A vida sacramental se empobrece e depressa se torna ritualismo oco, se não estiver fundada num conhecimento sério do que significam os sacramentos. A catequese se intelectualiza, se não for haurir vida na prática sacramental.”[1]

Hoje, vemos com esperança o retorno à mistagogia em nossa prática catequética. A catequese, como já ocorria nos primórdios da Igreja, deve tornar-se um caminho que introduza o cristão na vida litúrgica, ou melhor, no mistério de Cristo, “procedendo do visível ao invisível, do sinal ao significado, dos sacramentos aos mistérios”,[2] sempre com o mesmo objetivo de levar à vivência da fé. “A liturgia, com seu conjunto de sinais, palavras, ritos, em seus diversos significados, requer da catequese uma iniciação gradativa e perseverante para ser compreendida e vivenciada.”[3]

[1]   João Paulo II. Exortação apostólica Catechesi Tradendae. São Paulo: Paulinas, 1979. n. 23.

[2]   Catecismo da Igreja Católica, n. 1075.

[3]   CNBB. Diretório nacional da catequese. São Paulo: Paulinas, 2006. n. 120. (Documentos da CNBB, n. 84).