Preparação da celebração litúrgica

Antonio Francisco Lelo

A primeira medida consiste em formar uma equipe de celebração. De acordo com a realidade de cada comunidade, há que contar com pessoas da equipe de liturgia, animador musical, catequistas, jovens e o pároco. Se não for possível a presença deste último, previamente, há que conversar com ele para traçar as linhas gerais da celebração, considerando as recomendações do bispo para a celebração da crisma em sua diocese.

Desde o início dos preparativos, cultivar um bom clima de entendimento e manter o foco no centro do mistério celebrado: Cristo derrama hoje o seu Espírito, ungindo o crismando para uma missão. Importa que a equipe construa junta o sentido da celebração com sugestões coerentes que ajudem a comunidade a rezar bem.

Seguiremos os quatro passos indicados pela CNBB:[1]

1º Passo: situar a celebração. A equipe recorda as características do tempo litúrgico em que se dará a celebração e aprofunde as características próprias, que darão um estilo à celebração. Preferentemente esta celebração seja feita no Tempo Pascal. Também recorda acontecimentos sociais e de caráter mais existencial que marcaram a caminhada.

2º Passo: aprofundar as leituras. Nos Domingos do Tempo Comum admite-se propor as orações, leituras e prefácio próprios previstos na celebração do sacramento da Confirmação, que se encontram no Ritual da Confirmação.

Ler com antecedência os textos bíblicos do dia em que ocorrerá a celebração, procurando confrontá-los com os fatos acima. Convém iniciar pelo Evangelho, que é a leitura principal do mistério de Cristo celebrado; e, a seguir, a primeira leitura, o Salmo responsorial e a segunda leitura.

Opera-se, então, o confronto entre a Palavra de Deus e a vida, ajudado pelas perguntas: o que os textos estão nos dizendo? Que significam para nossa vida? Como ligamos a Palavra com o mistério do Senhor que morre na cruz, ressuscita e nos deixa o seu Espírito?

3º Passo: exercício de criatividade. À luz dos passos anteriores, procura-se fazer surgir ideias, mesmo sem ordem, a respeito de símbolos, cantos, da composição da assembleia, dos ritos de entrada, do ato penitencial, do gesto da paz, da proclamação das leituras etc. Procure destacar: a água do Batismo, o óleo santo do crisma, o derramamento do Espírito, a manifestação da Igreja reunida ao redor do bispo, a missão dos crismandos de anunciar e testemunhar o Evangelho. Não esquecer o agradecimento da equipe dos catequistas.

4º Passo: preparar o roteiro. Passando em revista as diversas partes da Missa, escolhem-se os cantos e a sequência das partes da celebração, registrando tudo numa folha-roteiro, que servirá de guia para os diversos ministros.

Se o pároco não participou da preparação, a equipe lhe apresenta o roteiro com as propostas para a celebração.

Recomenda-se vivamente fazer com antecedência e em forma de leitura orante a preparação da celebração com os crismandos. Há que cantar o salmo, rezar as leituras da missa, fazer ação de graças sobre o óleo do crisma, propor a oração dos fiéis. Esta celebração contribui para os crismandos interiorizarem o mistério e diminuir o aparato social da ocasião. Há de favorecer ao máximo a compreensão, a participação e a expressão de todos.

[1]       Cf. CNBB. Animação da vida litúrgica no Brasil. São Paulo: Paulinas, 1989. nn. 213-227. Documentos da CNBB, n. 43.