Estamos diante de uma nova situação que supõe gerar a primeira fé num adulto. A maioria dos agentes de pastoral não está habituada a um formato pastoral tão exposto como um diálogo, que a qualquer momento pode ser truncado pela negativa ou objeções do interlocutor. Nossos hábitos pastorais têm mais a ver com explicações em que o interlocutor escuta, pelo menos a parte central da exposição. A força de uma proposta de primeiro anúncio não está no poder de convencer intelectualmente, mas no fato de motivar um primeiro interesse pela pessoa de Jesus Cristo.

Ao anunciar há que saber dialogar, escutar, “sentir”. Vamos evitar respostas prontas, mas buscar, junto com o outro, alguma luz para suas dúvidas, perguntas e problemas.

As pessoas, hoje, ciosas de sua liberdade e autonomia, querem se convencer pessoalmente. Desejam discutir, refletir, avaliar, ponderar os argumentos a favor e contra determinada visão, doutrina ou norma. Devemos ter consciência de que, mesmo em se tratando da Boa-Nova, não se pode impô-la.

Há que deixar espaço para as pessoas expressarem seu próprio modo de pensar, expor dúvidas e testemunhos pessoais.[1]

Não nos esqueçamos de valorizar as opiniões, experiências de vida, modos diferentes de entender a Palavra, sem querer impor uma forma única de compreender a doutrina ou a moral da Igreja. A atitude de diálogo e acolhida de opiniões garante a aceitação delas em seu estágio de reflexão e amadurecimento e lhes permitirá novos confrontos com a mensagem evangélica e eclesial.

A pedagogia evangélica consiste na persuasão do interlocutor pelo testemunho de vida e por uma argumentação sincera e rigorosa, que estimula a busca da verdade. A ressonância da Palavra na vida constitui o sinal mais eloquente de que a mensagem evangélica faz o seu caminho de conversão.

Nunca assumir atitude de “professor”, aquele que sabe dar uma resposta simples e fácil. Por outro lado, é necessário que tenhamos uma rica experiência para partilhar. Tudo depende de como isso é colocado em comum. E não se pode esquecer de que ambas as partes têm riquezas a partilhar. É um mútuo crescimento que pode criar grandes laços de fraternidade.

[1]   CNBB. Diretrizes gerais – 2011-2015, n. 88.