Partir do catequizando

O catecumenato, como processo de amadurecimento, considera os catequizandos como protagonistas e agentes de sua educação, ajuda a descobrir quem são e colabora para que estabeleçam critérios pessoais para enfrentar a vida e dar respostas originais aos desafios que ela apresenta.

A pedagogia dos encontros buscará criar laços, valorizar a experiência de vida de cada um e levar o catequizando a discernir as situações à luz da fé. Isto se realiza por meio do aprofundamento da fé com a Palavra e o confronto com as situações da vida; a liturgia passa a ser o lugar do encontro vivificante com o Senhor, o seu Espírito e o Pai. Naturalmente, tudo deve confluir para uma vivência cada vez mais evangélica.

É fundamental que os catequizandos se coloquem como sujeitos, isto é, que tenham oportunidade e confiança de expor suas experiências, sentimentos e dúvidas. Neste método, a perspicácia da equipe animadora é fundamental para harmonizar o conteúdo programado, as reações do grupo, o tempo para a oração e o gesto concreto.

O respeito à individualidade, um princípio fundamental da pedagogia moderna, é assumido também pelo catecumenato. Cada um deverá ser respeitado como é. Não deve ser julgado, mas sim tratado como pessoa que tem direito à sua própria autonomia. Ele deve sentir-se livre durante todo o processo educativo.

Em se tratando de jovens, a catequese crismal igualmente não tem medo de construir a liberdade dos jovens e, com os jovens, concebe-a como processo de conquista em que Deus é a garantia da vitória contra toda escravidão deste mundo. Se no Antigo Testamento aconteceram maravilhas, no Novo Testamento a Páscoa de Jesus é a certeza plena da Ressurreição e do início da vida em plenitude já neste mundo. Na fidelidade à pedagogia interior do coração, a catequese procura a síntese entre o conhecimento intelectual e a experiência amorosa da vida em Deus. A catequese deve ajudar o jovem a perceber a vida como uma grande experiência de Deus.

Os diálogos de Jesus são marcados pela atenção e respeito às pessoas. Com essa pedagogia, ele foi abrindo caminhos para Zaqueu, os Discípulos de Emaús, a Mulher Samaritana, Pedro e os demais apóstolos…[1] O modo de ser e de atuar de Jesus é o mais claro referencial na atuação do catequista junto aos catequizandos. O Mestre foi fiel ao Pai e dócil ao Espírito. O modo de Jesus agir aponta as atitudes que deverão ser cultivadas no tempo catecumenal e o que é fundamental.

[1]   O tema pode ser aprofundado em TERRINONI, Ubaldo. Projeto de pedagogia evangélica. São Paulo: Paulinas, 2007.