Vivências litúrgicas

Cremos que o catequizando, ao vivenciar ritualmente os símbolos mais frequentes na liturgia no pequeno grupo, liderado pelo testemunho do catequista, descobrirá a vitalidade do rito, como experiência atual da graça do Senhor que vem ao seu encontro. Posteriormente, ao participar da liturgia na comunidade reunida, esse mesmo catequizando terá desenvolvido suficientes referências para integrar-se no corpo da assembleia e participar ativa, consciente e frutuosamente.

Ao preparar uma vivência litúrgica para um grupo, podemos imaginar a criatividade de um dirigente dispondo apenas do texto da Palavra e do símbolo que quer celebrar, por exemplo: a luz (círio), cântaro com água ou um pedaço de pão. Articular adequadamente as orações a partir da Palavra proclamada com os gestos litúrgicos correspondentes demanda que o catequista ou dirigente tenha vivência e conhecimentos litúrgicos suficientes. A informalidade do grupo, como também o pequeno número de participantes facilitarão o clima familiar na celebração.

Após escolher um gesto ou símbolo, o catequista se prepara pessoalmente lendo os vários sentidos que tem tal símbolo. Depois, elabora uma pequena celebração unindo a proclamação da Palavra com o emprego do símbolo; sem se esquecer dos cantos, preces de louvor ou de súplicas.[2]

O dirigente estabelece tarefas, como: providenciar o material necessário, acolher os catequizandos, proclamar as leituras, proferir as preces… e demonstra segurança de conduzir a celebração, uma vez que entendeu o objetivo e cada um dos passos da vivência.

Em tom familiar, inicie a celebração seja com o canto de um mantra ou outro adequado. Prossiga com a saudação inicial. Depois, comente o sentido usual do símbolo e dê o passo seguinte: mostre o sentido bíblico. Sempre pergunte, escute e valorize as intervenções dos participantes.

A essa altura, proclame a Palavra. Demonstre como as promessas bíblicas se cumprem no rito litúrgico. Há que unir a Proclamação da Palavra com o sinal escolhido. Realize o gesto litúrgico. O encontro da Palavra com o símbolo se desdobrará em súplica, louvor ou pedido de perdão.

Nos diálogos transcorridos durante a celebração, naturalmente sobressairá o compromisso vital que nasce entre a ação divina e a resposta de adesão de nossa parte.

Sob este critério, o agente de pastoral poderá recriar vários tipos de celebrações, lançando mão dos símbolos litúrgicos. Muitas vezes será necessário dedicar um encontro inteiro para realizar a vivência no grupo. Mais que celebrar o rito às pressas, o importante é não queimar etapas para que o objetivo de sensibilização e de nova visão do símbolo seja alcançado. Recomenda-se que a celebração transcorra num clima familiar e orante.

Se você, catequista, não tem a prática de conduzir uma celebração ou oração comunitária, procure tomar algunas cuidados prévios. Lembre-se de que não se trata de apresentar um símbolo como a cruz, mas de colocá-lo em interação com os participantes. Uma coisa é apresentá-la, outra será criar um clima orante, sem pressa, alternando orações, silêncio, canto, proclamação da Palavra, intercessões… no qual se reza sobre o valor salvífico da cruz, e os participantes são convidados a beijá-la com fé, atenção e respeito.

[1]   PINELL, J. L’anno liturgico, programmazione ecclesiale di mistagogia. O Theologos 6 (1975), p. 27, citado por: MATIAS, Augé.Espiritualidade litúrgica. São Paulo: Ave Maria, 2002. p. 77.

[2]   A título de exemplo, oferecemos os quatro sentidos de vários símbolos utilizados na liturgia, no livro: NUCAP. Mistagogia, op. cit.