Partir da revelação de Deus na vida

Para refletirmos o texto bíblico durante o encontro catequético devemos considerar a sensibilidade de fé, a abertura religiosa, naturalmente presente nas pessoas, ou os acontecimentos e situações que as envolvem, e dali ajudá-las a sentirem a presença e ação salvadoras de Deus.

No Brasil, nosso povo demonstra uma grande abertura religiosa. Estejamos atentos às indagações que fazem as pessoas aos acontecimentos e às situações que as envolvem, porque proporcionam a oportunidade de anunciar Jesus Cristo. O desafio consiste em apresentar e ajudar a amadurecer uma fé consoante ao projeto de Jesus de Nazaré, para que não se dilua no universo dos interesses unicamente pessoais.

A experiência de Deus torna-se a matéria-prima de nossa prática catequética. Daí a necessidade de ouvir o catequizando, ajudá-lo a interpretar sua vida sob o olhar da fé e também dar testemunho da própria fé. Essa sensibilidade vai se aprimorando e se concretizando no confronto da revelação com os acontecimentos da vida, o que vai gerar, de fato, uma pessoa de fé.

A pessoa de fé não se desencanta com os fracassos nem faz da fé, unicamente, motivo para buscar milagres e facilidades para a vida.

Quantas dificuldades há na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades; mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. […] Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! […] Quem é homem e mulher de esperança, sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende.[1]

Para efetivamente anunciarmos o Evangelho, além dos sinais da vida pessoal de nosso interlocutor, devemos conhecer a realidade à nossa volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento. Vamos seguir a pedagogia do Filho de Deus que se encarnou assumindo nossa condição humana em tudo, menos no pecado. Assim, anunciamos os valores do Evangelho do Reino na realidade que nos cerca, à luz da Pessoa, da Vida e da Palavra de Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

Não nos esqueçamos de valorizar as opiniões, experiências de vida, modos diferentes de entender a Palavra, sem querer impor uma forma única de compreender a doutrina ou a moral da Igreja. A atitude de diálogo e acolhida de opiniões garante a aceitação delas em seu estágio de reflexão e amadurecimento e lhes permitirá novos confrontos com a mensagem evangélica e eclesial.

Nunca assumir atitude de “professor”, aquele que sabe dar uma resposta simples e fácil. Por outro lado, é necessário que tenhamos uma rica experiência para partilhar. Tudo depende de como isso é colocado em comum. E não se pode esquecer de que ambas as partes têm riquezas a partilhar. É um mútuo crescimento que pode criar grandes laços de fraternidade.

Pe. Antonio Francisco Lelo

[1]   FRANCISCO. Santa Missa na Basílica do Santuário Nacional de Aparecida. In: Palavras do Papa Francisco no Brasil. São Paulo: Paulinas, 2013. pp. 23-24.